Nunca senti um amor tão forte assim, sem fronteiras, que além do bem e do mal, sedento, bebe da fonte do desespero e se afoga de tanta felicidade.
Morre em instantes e ressurge qual fênix, sempre maior.
É incoerente, mesquinho, mas totalmente altruísta.
Prisão da vida noutra vida, razão do ser e do não ter, que...
se liberta, me prende; se me prende, liberta, e...
eleva-me pelos ares qual plaina um condor para em seguida me rastejar como uma serpente pelas veredas de um abismo.
É calmo e tantas vezes tempestuoso, um cartesiano de proporções geométricas.
Previsível, às vezes, dentro dos limites infinitos de sua incoerência.
Tão espiritual, mas intensamente sensual, com viés sado e romântico na sua mais justa forma.
Às vezes, puerperil, docemente primaveril, outras, maduro, carvalho milenar, esplêndido, que finca raízes na fluidez de uma areia movediça.
Alimento e remédio para minha cansada e errante alma...
só ele, meu querido anjo, a razão desse louco amor, parece poder salvar-me de mim mesma.

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